Alimentação

Outra vez sopa?!

Quem não se lembra da Mafaldinha rabugenta sempre a reclamar da sopa? E certamente que não está sozinha… Eu sou fã da Mafalda, mas também sou uma “sopeira convicta”, e não entendo como não se goste de sopa, ou melhor entendo que possivelmente não têm a melhor experiência e quem a faz não tem o dom de a tornar deliciosa e apetecível, e de acordo com as preferências de cada um!

A falta de criatividade na oferta

A verdade é que sempre que vou a um restaurante mais tradicional, as ofertas de sopa são sempre entre creme e/ou sopa de legumes, que é para mim é uma expressão demasiado abstrata e pouco ou nada diz, considerando o mesmo reino dos legumes à face deste lindo planeta! Outras vezes lá aparecem no menu opções como caldo verde ou canja, mas como geralmente levam carne, deixam de ser opção para mim, e de facto concordo que a oferta se torna monótona e pode fazer com que qualquer um adira ao clube da Mafaldinha.

Também na maioria das casas a sopa é quase sempre semelhante, geralmente com os legumes que há pelo frigorifico e quase sempre triturada. Ou seja, é de esperar que miúdos e graúdos rapidamente se cansem das sopas e deixem de as querer consumir.

Hoje em dia e cada vez mais se veem novas abordagens, imensa criatividade culinária, cores, fusões, e todos são chefs, mas em geral a sopa fica de fora, talvez por não ser muito intagramável, ter poucos fãs e ficar de fora das pesquisas do Google!

Mas eu sou do movimento contrário e fã incondicional da sopa: antes ou depois da refeição, ao pequeno-almoço ou lanche, inteira ou passada, fria ou quente, com ou sem topping e em todas as estações do ano! Sopa sim, sempre!

Vantagens da sopa

E sendo certo que cada pessoa tem as suas próprias preferências e escolhas, a verdade é que uma sopa no início da refeição prepara o estômago para o que vem a seguir e sacia e conforta, evitando talvez a ingestão de comida em excesso, que a tantos preocupa, por outro lado é uma incrível fonte de minerais e outros nutrientes e ainda uma forma de hidratar, mesmo para os avessos à água. E por ser fonte de hidratação é que pode e deve também ser consumida no verão, quando precisamos de ingerir mais líquidos e minerais que vamos perdendo com a transpiração e começar o dia com uma bela sopa pode tornar o dia bem mais produtivo e cheio de vitalidade.

Sopa muito mais que alimento

A proposta é, por isso, conhecer diferentes tipos de sopa e começar a criar e permitir conhecer cores, sabores, texturas distintas nesse grande prato que é a sopa.

Uma vez perguntaram-me qual a comida que não me podia faltar numa ilha deserta, sendo algo simbólico, era um inquérito que se destinava a conhecer os hábitos  e comidas favoritas dos portugueses, creio que na altura a maioria teria respondido pão, algo realmente sempre bem presente na mesa dos portugueses, porém, eu respondi sopa…Sopa é ainda hoje o meu desejo de comida conforto quando regresso de uma viagem onde os hábitos alimentares são distintos e era sempre o meu pedido para a minha mãe nos regressos das viagens de outros tempos.

E a sopa vai muito além do alimento em si:

Sopa é comida conforto!

Sopa é regresso a casa!

Sopa é amor!

Sopra é nutrição de corpo e alma!

Sopa é o principio, ás vezes o fim, um momento para nós, de nutrição, de pausa, seja a preparar o sistema digestivo para os alimentos que se seguem, seja a compor o que já se comeu, é uma espécie de ritual as nossas mesas e cozinhas e por isso deve ter um papel destacado e permitir momentos diferentes e adequados ao momento.

A nossa proposta

Criar sem limites experiências que alimentem o palato e a alma. Usar cereais, escolher vegetais da estação, aventurar-nos em sabores exóticos, colocar toppings variados como aromáticas, sementes ou oleaginosas tostadas, variantes quentes e frias, vale tudo, menos excluir à partida algo tão benéfico e nutritivo!

E podemos começar já com duas opções diferentes do habitual na mesa dos portugueses: uma sopa ligeira de quinoa e uma sopa de curgete que é deliciosa quente ou fria e por isso pode ser uma opção para o tempo quente que se avizinha e já se faz sentir:

Sopa ligeira de quinoa

  • Quinoa – cerca de uma colher de sopa por pessoa
  • 1 cebola média
  • 1 fatia de abóbora hokkaido
  • 1 courgette média
  • 150g feijão verde
  • Azeite (opcional)
  • Sal
  • Água
  • Vinagre de ameixa (opcional)
  • Aromática a gosto (cebolinho, hortelã, salsa, tomilho …)

Cortar os legumes em pedaços de tamanho semelhante e levar a cozer em água abundante. Depois de ferver alguns minutos, acrescentar a quinoa, depois de bem lavada e esfregada. Temperar de sal e deixar cozinhar cerca de 15 a 20 minutos mais. Servir com aromática a gosto e um fio de azeite. Umas gotas de vinagre de ameixa acentuam os sabores.

Sopa de curgete

  • 2 cebolas grandes
  • 5 curgetes médias
  • 1 batata doce grande
  • Azeite
  • Sal
  • Aromática a gosto.

Saltear os legumes cortados em cubos médios no azeite. Cobrir com água e deixar levantar fervura. Deixar cozer até os legumes ficarem macios. Triturar e servir com aromática a gosto.

Para quem goste, no verão é uma sopa que se come bem fria. Pode ser enriquecida servindo com um pouco de salteado de cogumelos por cima.  Fica bem gulosa se servida com croutons de pão fritos em azeite.

Vânia Magalhães

Nasci em Guimarães, mas sou do mundo, as raízes não são muito profundas, vou onde os meus ramos me levarem.
Licenciada em direito, apaixonada pelos direitos humanos, cedo percebi que estes se praticam no dia-a-dia, no amor ao próximo, em atividades de voluntariado, a passar as mensagens certas com o nosso exemplo e atitude, mais do que em manifestações jurídicas.
Nos últimos anos vivi uma incrível revolução e descobertas interiores, com percurso na filosofia macrobiótica, através de formação no Instituto Macrobiótico de Portugal, coaching/mentoring e constelações sistémicas, meditação, saberes que agora tento combinar e passar como inspirações.
Sou apaixonada por viagens, gosto de escrever, gosto de cozinhar e preconizo uma vida simples dentro da complexidade que me habita.
Cuido do meu corpo, porque também ele me guia.

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