Auto-Estima

Maquilhagem: Vaidade ou Poder?

Quantas vezes já ouvimos “A maquilhagem não é para mim, não sou vaidosa!” ou “Para que é que te maquilhas? És tão mais bonita ao natural.”? Identificaram-se? Já vos aconteceu? A mim já. E sempre pensei, mas o que tem de errado usar maquilhagem? Nada, muito pelo contrário.

As pessoas no geral tendem a recear aquilo que não conhecem ou que pensam que nos altera enquanto pessoas. Como maquilhadora profissional e uma apaixonada por cuidados de beleza, desde que me lembro de ser gente, vos digo que a maquilhagem é nada mais nada menos, que o nosso melhor escudo de proteção contra as nossas próprias inseguranças, aqueles medos que só nós sentimos e que ninguém à nossa volta se dá conta.

Vamos começar pelo principio, o que é a maquilhagem? A maquilhagem consiste na aplicação de produtos cosméticos, sejam meramente estéticos ou de tratamento, que têm a função de realçar as nossas melhores características físicas e de disfarçar aquelas pequenas imperfeições que nos incomodam ou os traços físicos que não queremos que sejam tão evidentes, que no fundo é o que todos queremos, sejamos mulheres ou homens.

Existem vários tipos e técnicas de maquilhagem, como por exemplo, a maquilhagem de caracterização, mas vamos nos focar na “maquilhagem de beleza”.

É certo que os produtos de cosmética regular evoluíram bastante ao longo dos anos, assim como as modas e as tendências! A arte de nos maquilhar acompanha-nos há muitos anos, séculos para ser mais precisa. O mito de que a maquilhagem serve para camuflar ou até mudar feições, não poderia estar mais errado. Como já referi anteriormente, existem várias técnicas de maquilhagem, passados tantos anos, é natural que os maquilhadores tenham desenvolvido o seu talento ao mais alto nível.

Mas falando de tendência, esta tem se alterado e fincado cada vez mais na exibição de uma tez natural e com brilho q.b., sem grandes contornos, bronzers ou blushes, o que vai mais de encontro ao gosto da maioria das mulheres portuguesas, que adoram um look sofisticado e elegante. Deixemos as cores para os olhos, pois o nude e o vermelho, são claramente Reis nos nossos lábios!

Mas será isto vaidade? Com certeza que um pouco de vaidade faz falta a todos nós e, sendo assim, sejamos todos vaidosos! Mas quando se confunde vaidade com futilidade, aí já entramos noutro campo.

Posso vos contar que pela minha experiência pessoal e na convivência que tenho tido com várias mulheres, que a maquilhagem vai muito além de colocar cosméticos no rosto. Maquilhar é um presente que dou a mim mesma e a outras mulheres, e que gosto que me dá ver o brilho no olhar quando alguém, maquilhado por mim, se olha ao espelho. Ou quando, eu mesma me olho ao espelho! E desenganem-se, se pensam que as mulheres se maquilham porque se acham menos bonitas ou porque apenas se querem “aperaltar” para os seus companheiros. Esse é o maior mito de todos, nós queremos nos embelezar sim, mas para nós próprias, porque o efeito que tem em nós é, simplesmente, incrível.

Sabiam que a palavra maquilhagem teve origem na palavra masque em francês? Masque que significa “máscara” e não, não me refiro a uma máscara como se do Carnaval se tratasse, refiro-me à mascara que colocamos quando vamos a uma entrevista de trabalho, quando temos aquela reunião muito importante que nos deixa nervosas ou quando temos aquele encontro com aquela pessoa especial que nos dá a sensação de “borboletas na barriga”. São nessas alturas que colocamos a nossa máscara, significado? A melhor versão de nós mesmas.

A grande questão que se coloca: é possível mudar a nossa atitude ou aquilo que sentimos por usarmos cosméticos na cara? Claro que não. Mas é possível revelarmo-nos, mostrarmos quem realmente somos, mulheres de poder, com autoridade, donas da nossa verdade, com o dom da nossa palavra e prontas a governar o mundo, o nosso mundo!

Não é possível dissociar a maquilhagem da autoestima, estes dois conceitos sempre estiveram e estarão interligados. Poder é a palavra que os une, e essa é a sensação que a maquilhagem nos dá, transmitindo-nos empoderamento e autoconfiança para podermos mostrar, livres de quaisquer medos, a nossa personalidade e autenticidade.

E claro que nenhuma mulher tem de se maquilhar para se sentir confiante, mas é certo que no mundo em que vivemos, altamente competitivo e, de certa forma, até agressivo, temos de nos munir das nossas melhores armas e, garanto-vos, que não há melhor arma de arremesso que a nossa imagem.

Atualmente, manter uma imagem cuidada é um fator imperativo, seja perante o mercado de trabalho, seja na nossa vida pessoal. O nosso reflexo e a nossa presença transparecem quem somos, e quem somos nós? Eu respondo. Todas somos bonitas, inspiradoras, guerreiras, autênticas forças da natureza, capazes de enfrentar as maiores adversidades da vida, porque fomos talhadas desde pequeninas e desde a pré-história a sermos assim. Está no nosso ADN.

Então, vamos ser boas para nós próprias e facilitarmos um pouco a nossa vida, e a maquilhagem é aquele adereço que serve para isso mesmo, pois ninguém é capaz de derrubar uma mulher com autoestima, que ande de mãos dadas com a confiança e que não descuide do amor próprio.

Carla Almeida

Carla Almeida, é licenciada em Gestão de Marketing e uma comunicadora nata, bom… uma tagarela do pior, assim é que é!
O marketing e a comunicação são as suas paixões, mas com 29 anos decidiu ir atrás dos seus grandes amores, a maquilhagem e a dermocosmética. Porque o amor vence sempre, não é? Pelo menos é o que dizem.
Hoje, dedica-se a full-time à gestão de um departamento de marketing numa empresa nacional, contudo a pandemia abriu portas para explorar o seu sonho de pequenina, e desde 2020 que é maquilhadora profissional dedicando-se, cada vez mais, à especialidade da pele.
Afirma-se como uma mulher focada, determinada e com voz ativa na defesa do empoderamento das mulheres, através da imagem e confiança! Autoestima é a sua palavra favorita, e o seu grande objetivo é poder inspirar outras mulheres a serem autênticas, a mostrarem sem filtros as suas capacidades e firmarem a sua opinião e autoridade, num mundo que outrora foi só dos homens.

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